Um dos temas mais constrangedores ao Brasil, não apenas à própria
sociedade brasileira, como no âmbito internacional, é a existência da chamada prostituição
infantil. A despeito
de todos os esforços do Estado no enfrentamento deste problema, há a permanência
de uma realidade hostil para muitas crianças – principalmente meninas – nas
regiões mais pobres do país: segundo a UNICEF, em dados de 2010, cerca de 250
mil crianças estão prostituídas no Brasil.
Fonte:www.qualquerinstante.com.br
De forma geral, a prostituição infantil trata-se da exploração
sexual de uma criança a qual, por vários fatores, como situação de pobreza ou
falta de assistência social e psicológica, torna-se fragilizada. Dessa forma,
tornam-se vítimas do aliciamento por adultos que abusam de menores, os quais
ora buscam o sexo fácil e barato, ora tentam lucrar corrompendo os menores e
conduzindo-os ao mercado da prostituição.
Fonte:http://www.bbc.co.uk
Os aspectos facilitadores desta condição na qual se
vê destruída a infância desconsideram os direitos e a necessidade de proteção
da criança. Para além das possíveis vulnerabilidades decorrentes da situação
socioeconômica - se não a principal causa, certamente uma das mais importantes
– estão outros aspectos como o próprio gênero da criança, fato que explicaria
uma maior vulnerabilidade das meninas, tão expostas à violência contra a mulher
até mesmo no ambiente familiar.Isso sugere que são aspectos importantes para a compreensão da
violência contra a criança e outros para além daqueles ligados apenas às questões
de pobreza.
Fonte:http://luk4as.blogspot.com.br
A questão de gênero estaria intrínseca a um modelo sociocultural
que, por vezes, como no caso brasileiro, pode reproduzir uma naturalização da
discriminação contra a mulher (fruto de valores machistas), vista como objeto
destituído de valor, de consciência e liberdade. Assim, não se deve associar a
prostituição infantil apenas à condição de pobreza da criança, mas sim
considerar as particularidades de sua manifestação.
Fonte:deputadopicarelli.blogspot.com.br
Também para além da pobreza, o desenvolvimento de vícios por
drogas conduzem essas crianças a uma situação deplorável e de extrema
necessidade de cuidados especiais. Para atenderem às imposições da dependência
química que as dominam, vendem seus corpos para conseguirem algum dinheiro para
a compra de drogas (ou mesmo aceitam fazer programas tendo como pagamento a
própria droga).
Fonte:http://dialogospoliticos.wordpress.com
Outro complicador desta questão é o chamado turismo sexual, o qual
consiste na chegada de vários estrangeiros a regiões como o Nordeste brasileiro
em busca de sexo. Meninas pobres, moradoras das regiões periféricas e precárias
ao redor dos grandes centros ocupam as principais ruas e avenidas para se
oferecerem como mercadoria barata neste mercado do sexo que se estabelece em
endereços turísticos por todo o Brasil, principalmente nas praias nordestinas.
Fonte:www.gritodascinco.com.br
Se por um lado a prostituição ainda faz parte da
realidade brasileira, é importante destacar alguns avanços nesta luta. No
Brasil, em 2000, institui-se o Plano Nacional de Enfrentamento da Violência
Sexual Infanto-Juvenil, assim como o Dia Nacional de Combate ao Abuso e Exploração
Sexual Infanto-Juvenil, comemorado em 18 de maio, dia em que uma menina de 8
anos foi abusada e morta em 1973 no Estado do Espírito Santo causando
indignação nacional.
Fonte:diganaoaerotizacaoinfantil.wordpress.com
Segundo o Governo Federal, este Plano Nacional de Enfrentamento
está dividido em seis eixos estratégicos, sendo eles: Análise da Situação,
Mobilização e Articulação, Defesa e Responsabilização, Atendimento,
Prevenção e Protagonismo Infanto-Juvenil. A coordenação deste Plano fica a
cargo do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda),
assim como dos Conselhos de Direitos Estaduais e Municipais de cada região.
Além destas instituições, outras esferas de acompanhamento e controle foram
criadas, além de Varas Criminais especializadas em crimes contra crianças e
adolescentes. Ainda segundo o governo federal, em 2008 foram reunidas mais de
3.500 pessoas de várias nacionalidades no III Congresso de Enfrentamento da
Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, no Rio de Janeiro,
fato que marca uma sensibilidade internacional com esta realidade que afronta
os Direitos Humanos.
Segundo o site da UNICEF - Fundo das Nações Unidas para a
Infância, este órgão adotou em meados de 2000 o Protocolo Facultativo para a
Convenção sobre os Direitos da Criança, que trata da venda de crianças,
prostituição e pornografia infantis.
Vários países aderiram, a exemplo do governo
brasileiro que promulgou tal protocolo em 2004. Este documento não apenas
evidencia uma preocupação internacional, mas sinaliza a tentativa da criação de
mecanismos para esforço mútuo contra essas terríveis formas de violência e
exploração contra a criança.
Fonte:aexploracaosexualinfantil.blogspot.com.br
Ao longo do texto que introduz os pontos deste protocolo, a UNICEF aponta haver a concordância entre os países de que “a eliminação da venda de crianças, prostituição e pornografia infantis serão facilitadas pela adoção de uma abordagem global que leve em conta os fatores que contribuem para a existência de tais fenômenos, particularmente o subdesenvolvimento, a pobreza, as desigualdades econômicas, a iniquidade da estrutura socioeconômica, a disfunção familiar, a falta de educação, o êxodo rural...” (UNICEF, 2011, s/p).
Ao longo do texto que introduz os pontos deste protocolo, a UNICEF aponta haver a concordância entre os países de que “a eliminação da venda de crianças, prostituição e pornografia infantis serão facilitadas pela adoção de uma abordagem global que leve em conta os fatores que contribuem para a existência de tais fenômenos, particularmente o subdesenvolvimento, a pobreza, as desigualdades econômicas, a iniquidade da estrutura socioeconômica, a disfunção familiar, a falta de educação, o êxodo rural...” (UNICEF, 2011, s/p).
Fonte:diganaoaerotizacaoinfantil
Isso mostra que o posicionamento mais efetivo do Estado com
relação a este problema não apenas se faz urgente, como também possui de fato
certa complexidade. Não se trataria apenas de coibir a ação de aliciadores ou
de uma clientela em potencial deste tipo de prostituição, mas fundamentalmente
pensar o cuidado com o menor e o adolescente nas mais diversas esferas: da
saúde, passando pela educação, bem como na criação de oportunidades claras de
inclusão social. Requer a necessidade de apoio e orientação psicológica às
crianças nesta condição, seja para aquelas que realmente estão em condição de
rua, seja para aquelas que a despeito de terem família estão em um ambiente
impróprio para sua infância e formação enquanto indivíduo (haja vista a
exploração promovida em muitos casos pelos próprios pais).
Fonte:www.exatasnews.com.br
Em suma, cabe ao Estado zelar pelo bem-estar da criança e do
adolescente, em especial por aqueles em maior situação de vulnerabilidade
social. Porém, tal vulnerabilidade seria promovida não apenas pelo desprovimento
de recursos, mas também pela naturalização cultural da discriminação, como no
caso das meninas vistas como meros objetos. Logo, é preciso refletir não apenas
sobre o papel do Estado, mas sobre o da própria sociedade, sobre seus valores e
sua capacidade de percepção sobre a real natureza da lógica da violência contra
a criança.
Fonte:http://www.brasilescola.com.
Fonte:http://www.turismo.gov.br
‘’Com toda a plenitude do mundo ainda somos falho na
questão amor próprio, e de uns para com os outros’’.
J.SOUZA
J.SOUZA











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